Todas as Crônicas, de Clarice Lispector, é um livro para quem é fã e para quem não é

Ler um livro de crônicas é algo que se faz em pílulas. Pelo menos no meu caso. Você abre um dia lê uma, em outro mais outra… E por aí vai, se deliciando aos poucos com a distração dos textos curtos. No dia em que #ClariceLispector completaria 98 anos, escolhi o “Todas as Crônicas”, da editora Rocco, para fazer a resenha.

Como o nome já diz, esse livro traz 679 páginas com crônicas de uma das autoras mais emblemáticas e famosas desse país. Tudo, claro, com aquela pegada de Clarice que os fãs estão carimbados.

Mas e se você não é fã? Faz um sorteio! Abra em uma página qualquer e se jogue naquele texto. Em uma das vezes que fiz isso, por exemplo, acabei me deparando com a carta que a atriz Fernanda Montenegro enviou a Clarice (e a autora teve autorização para publicar). Nela, Fernanda abria o coração sobre o tempo difícil enfrentado pelos atores de teatro. Diferente e inusitado. Mas o livro começa triste e trágico, com a história de um menino com fome que pede comida a mãe, que não tem como atender o pedido.

Todos devemos ler Clarice pelo menos uma vez na vida. Se ainda não o fez, comece com esse livro ou com “A Hora da Estrela”, um de seus grandes clássicos.

Sem Dó é um HQ romântico e trágico que se passa em São Paulo

Duas informações importantes para justificar esse livro: hoje (8/12) é aniversário da Avenida Paulista, que completa 127 anos. Além disso, a Editora Todavia está fazendo em seu site um bazar até o dia 10/12. Vale a pena conferir e já garantir os presentes de Natal.

Dito isso, não quero dar spoiler, juro que vou me esforçar. Mas esse quadrinho está desafiando a minha capacidade de escrever sem começar comentando o final de tão surpreendida que fique. Sem Dó, da Luli Penna, conta a história de um casal que se conhece pelas ruas de São Paulo e se apaixona.

Diferente dos outros HQ que já falei por aqui, este tem uma pegada diferente: tanto no estilo de ilustração quanto na narração. Existem pouquíssimas falas entre os personagens. Você acompanha e entende o que está acontecendo na vida deles com a ajuda dos desenhos mesmo.

De qualquer forma, a trama narra o amor repentino entre Sebastião e Lola. Os desenhos me dão a sensação de que a história acontece na década de 20 (posso estar errada). O pai de Lola já tinha o marido perfeito para ela, mas ao cruzar com um desconhecido na rua, uma faísca acendeu e algo entre eles aconteceu. Contudo, o relacionamento é mantido em segredo

O final é tão surpreendente, tão surpreendente, que eu tive que voltar e ler mais duas vezes para ver se eu estava entendendo certo. Tem uma pegada meio Shakespeare, sabe?

Pronto, já falei demais. Agora vale a pena você correr atrás desse quadrinho e acrescentá-lo a sua coleção.

Dumplin’ questiona: por que a sociedade se importa com o peso das pessoas?

Esse podia ser mais um livro fofinho e divertido que conta a história de uma garota no colegial. Mas ele é mais que isso. Dumplin’, de Julie Murphy, é uma aula de aceitação e uma dura crítica a sociedade que insiste em não aceitar que nem todo mundo irá pesar 50 kg — e que não precisamos disso para sermos felizes.

A história conta a vida de Willowdean Dickson, uma garota que está no colegial, é gorda, filha de uma ex miss, mas que não tem absolutamente nenhum problema com seu corpo. Nenhum mesmo. Ela, por exemplo, coloca biquíni e vai encontrar amiga na piscina pública sem pensar duas vezes. Está certíssima! Mas os olhares e comentários maldosos não somem só porque ela tem uma autoestima elevada. As palavras estão ali, duras, todos os dias. Avança duas casas e Will resolve se inscrever no concurso de miss da sua cidade, mesmo não tendo o corpo padrão que a sociedade tanto preza

dumpling

Por que há tanto questionamento sobre o peso alheio? Por que interessaria a qualquer pessoa, que não nós mesmas, quanto eu peso ou deixou de pesar? Por que fazer com que essas pessoas se sintam acuadas e com vergonha? Will não é assim, mas muitas mulheres, meninas, homens e garotos passam por isso todos os dias. A vergonha, os olhares tortos e as “piadas” (que não têm graça nenhuma) fazem parte da vida de muita gente que não tem padrão corpo de passarela. E, nesse cenário, fica difícil não se sentir cada vez mais acuado.

Will é uma inspiração nesse sentido. O seu amor próprio é algo a ser almejado. E como é difícil alcançar… O que importa na vida é que a gente seja feliz. O número da sua e da minha calça não diz nada sobre quem somos.

E olha que noticia legal. Dumplin’ irá se tornar filme. No elenco, Jennifer Aniston já está confirmada. Estou ansiosa para ver o resultado final.

Você precisa ler “A Beleza da Vida”, livro que conta a história de Marco Antônio de Biaggi

Todo mundo sabe quem é Marco Antônio de Biaggi. O cabeleireiro das estrelas, e responsável por muitas capas de revista, é expert em beleza e arrasa quando o assunto é penteados e tesoura. Eu mesma o conheço há cerca de 8 anos, desde que comecei a trabalhar na NOVA (que se tornou COSMOPOLITAN mais para frente). Foram muitas horas em ensaios de capa, mas sempre divertidíssimo!

Marco é uma pessoa doce, carinhosa, talentosa e que enfrentou uma batalha duríssima: um câncer e um problema no coração o deixaram em coma por 40 dias (sem contar os meses no hospital), o afastando do glamour, viagens e vida agitada que ele estava tão acostumado. Sair dessa foi uma vitória. Continuar brilhando uma maior ainda. E ele segue!

No livro “A Beleza da Vida”, escrito pelo jornalista João Batista Jr. conta sua trajetória e doença. Mas sua vida não foi toda em meio ao luxo. Ele deixou uma faculdade de química para se dedicar ao amor por cabelo, com a visão empreendedora ajudou sua família, abriu lojas e superou a crise na década de 80.

Por sua determinação e por nunca perder o foco, Marco se tornou um vencedor é uma referência. Sua história é inspiradora. Vale a leitura!

Sem Escolha é um livro sobre decisões difíceis e traumas da vida

Você tem algum trauma em sua vida? Sem Escolha, de Abbi Glines, é uma história que mostra claramente como acontecimentos até da nossa infância são capazes de nos marcar para sempre – para o bem ou para o mal.

Willow foi abandonada por todas as pessoas que amava: a mãe, a irmã, o pai… A única pessoa constante em sua vida é seu amigo Cage. Marcus está enfrentando o divórcio dos pais com muita dificuldade. Ele deixou a faculdade onde estudava e voltou para casa buscando apoiar a mãe e a irmã que estão arrasadas com a separação.

livro

O que eles não esperavam era cruzar o caminho um do outro, e claro, como em um bom romance, se apaixonar. Os problemas do Marcus e as barreiras da Low se cruzarão novamente em um problema bem maior quando o relacionamento começa a ganhar um pouco de força. E é aí que o amor é colocado à prova.

Às vezes, a gente se sente meio perdida como a Willow na vida. Acho que é normal. Mas o importante é aprender como ela a ter força própria para conseguirmos levantar todas as vezes que caímos.

 

Um livro de culinária para comemorar o Dia Mundial da Pera

Vocês sabiam que dia 1 de dezembro é comemorado o O Dia Mundial da Pera? Quem promove a data é a USA Pears, associação de produtores da fruta nos Estados Unidos. E sabe do que me lembrei? Genovia! Calma, eu explico…

Se você assistiu “O Diário da Princesa” sabe que varias vezes eles citam o país o qual Mia é princesa como o reduto das peras. Não lembra disso no livro? Porque não tinha mesmo! O diretor do filme perguntou a Julie Andrews pelo o que o país seria conhecido e a atriz sugeriu a fruta 🍐. A ideia veio das telonas e não das páginas…

Para comemorar a data resolvi unir dois tipos de literatura que amo: a de comédia romântica da ficção e culinária. Busquei em minha coleção e achei uma receita com pera no “Torta de Fruta – Delícias quintinhas para saborear em todas as ocasiões”, da PubliFolha. Se você é um amante das peras, ou de qualquer outra fruta, esse livro não pode faltar na sua estante.

Agora, seja como a princesa Mia e já para cozinha. Bora comemorar essa data de um jeito bem saboroso!

Podemos salvar o mercado literário?

Nos últimos meses nos deparamos com a notícia triste de que duas grandes redes de livrarias do Brasil entraram em Recuperação Judicial. Para quem não sabe o que isso significa, a empresa faz o pedido de RJ quando não consegue mais pagar suas contas, se propondo a ter um novo plano de quitação. Enquanto isso, as pessoas para as quais eles devem não recebem nada. O que me fez questionar: o que isso representa para as editoras?

Eu nem preciso dizer que sou uma assídua compradora de livros. Não passo na porta de uma livraria sem entrar e mais difícil ainda não gastar. Digital, físico, em quadrinhos, infantis… Gosto de todos os estilos e os levo para casa. Mas entendo também que esse não é um hobbie lá dos mais baratos. Comprar livros custa caro e não à toa: essa é uma indústria que emprega diversos tipos de funcionários, que tem que ter lucro e pagar os autores. Sim, eu sei que segue pesado para o bolso.

unnamed

Por outro lado, a gente gasta grana com tanta coisa, por que não investir em um livro por mês? E se você tem filhos, sobrinhos, afilhados… Compre para eles também! Os pequenos podem não saber ler ainda, mas ter um livro colorido na mão é mágico e desperta o interesse. Sem contar que dá para criar o hábito do momento da história entre vocês.

Em resumo: comprem livros! Como disse a Gisela Gasparian, uma das fundadoras da Editora Ubu, para a Veja São Paulo, “Faça da leitura um hábito. De nada valem posts e textões em redes sociais lamentando o fechamento de livrarias se você não consome livros”. Aproveite para dar muitos de presente de Natal.

Não vamos deixar que uma indústria que nos dá prazer, entretém e nos leva a viajar sem sair do lugar sofrer. Apoie seus autores e editoras preferidas! Se agirmos juntos, vamos conseguir virar essa página.

Aprendi com Jane Austen é um livro cheio de ensinamentos

Na minha humilde opinião, Jane Austen é uma das melhores autoras e romancistas e todos os tempos. Suas histórias foram escritas em 1700, mas as abordagens, os comportamentos e os ensinamentos que suas palavras nos passam continuam valendo até hoje. Não poderiam ser mais contemporâneos.

O livro Aprendi Com Jane Austen é escrito por um cara que precisava dar uma chacoalhada em sua vida. Ele estava fazendo pós-graduação e se viu, muito contra a vontade e cheio de preconceitos, com um livro de Jane em suas mãos. Começou por Emma e o achou bem bobo, sem graça e não entendeu qual era dessa idolatria que muitos têm por Austen. Até que começou a prestar atenção nas entrelinhas e descobriu as lições que aquela obra tinha a dar para ele.

Capturar

Quase como em um vídeo game, ele vai passando de fases, aprendendo, lendo um novo livro, pegando o próximo e aprendendo de novo. Por conseguir comparar alguns dos seus próprios sentimentos aos dos personagens, e se identificar com os comportamentos deles, William Deresiewicz foi se apaixonando pelas histórias de Austen

Inclusive, em um certo momento, ele até declara que defenderia Elizabeth Bennet, de Orgulho e Preconceito, a todo custo, de tanto que se encantou com a personagem preferida da autora. Durante todas as páginas, ele compara um pouco da sua vida com as narrativas de Austen e ainda as apresenta as histórias de Jane de uma maneira clara para quem não as conhece. Se você é uma fã, vale acrescentar a sua coleção.

Agora você pode ter vários quadrinhos do The New Yorker em casa

Você sempre gostou de ler quadrinhos nos jornais? O The New Yorker, famoso jornal americano, tem a tradição de publicar cartoons em suas páginas desde 1925. As artes que ficaram tão famosas ganharam destaque e se tornaram um compilado de um livro.

Durante minha caçada pelas lojas da Comic Con Experience de 2017 (estou ansiosa para a desse ano!), encontrei três tipos do livro The New Yorker Cartoons: dinheiro, médico e advogado. Escolhi a opção dinheiro para trazer pra casa. Ao lê-lo, descobri que as preocupações brasileiras em relação a grana não são muito diferentes das americanas.

Capturar

Aposentadoria, salário, a dedicação ao trabalho só para receber o contracheque no final do mês e até o desejo de ser rico são temas recorrentes entres os HQ. Vez ou outra a gente ri ou pensa: “Nossa, é isso mesmo, né?”.

Queria que tivesse uma opção “Jornalista” do compilado, mas enquanto eu não encontro, vou me divertindo com os outros temas que encontro por aí

Você vai gostar de ler O Manual para Românticas Incorrigíveis

Você faz o tipo romântica à espera do cara perfeito? Kate Hetherington sim. A protagonista do livro Manual para Românticas Incorrigíveis tem uma expectativa tão alta de que esse cara perfeito existe, que virá em um cavalo branco (segundo a própria, ela aceita um bege) que está encontrando dificuldades para ter um relacionamento fora da fantasia. Eu, que me considero bem pouco romântica, até entendo o desejo de Kate, mas acho aflitivo viver com essas expectativas.

Para dar jus ao nome da história, a protagonista descobre o livro Manual para Românticas Incorrigíveis, escrito na ficção em 1956, onde a autora dá dicas do que ela pode fazer para encontrar o “marido perfeito”. Até Kate admite que ele é cheio de ideias ultrapassadas e machistas, mas resolve tentar algumas manobras sugeridas — como mudar o caminho que faz todos os dias ou sempre sorrir nas horas de nervoso —, mesmo assim.

manual de uma romantica incorrigvel

E, como uma boa comédia romântica, a história fica engraçada, tem acontecimentos desastrosos, encontro com os amigos e… caras que podem fazer parte da vida de Kate. Mas não vou falar mais para não dar spoiler do final.

Gemma Townley escreve de forma semelhante a Sophie Kinsella e Meg Cabot, autoras bem conhecidas por suas obras no estilo chick lit. Boa leitura!