Todas as Crônicas, de Clarice Lispector, é um livro para quem é fã e para quem não é

Ler um livro de crônicas é algo que se faz em pílulas. Pelo menos no meu caso. Você abre um dia lê uma, em outro mais outra… E por aí vai, se deliciando aos poucos com a distração dos textos curtos. No dia em que #ClariceLispector completaria 98 anos, escolhi o “Todas as Crônicas”, da editora Rocco, para fazer a resenha.

Como o nome já diz, esse livro traz 679 páginas com crônicas de uma das autoras mais emblemáticas e famosas desse país. Tudo, claro, com aquela pegada de Clarice que os fãs estão carimbados.

Mas e se você não é fã? Faz um sorteio! Abra em uma página qualquer e se jogue naquele texto. Em uma das vezes que fiz isso, por exemplo, acabei me deparando com a carta que a atriz Fernanda Montenegro enviou a Clarice (e a autora teve autorização para publicar). Nela, Fernanda abria o coração sobre o tempo difícil enfrentado pelos atores de teatro. Diferente e inusitado. Mas o livro começa triste e trágico, com a história de um menino com fome que pede comida a mãe, que não tem como atender o pedido.

Todos devemos ler Clarice pelo menos uma vez na vida. Se ainda não o fez, comece com esse livro ou com “A Hora da Estrela”, um de seus grandes clássicos.

Memórias Inventadas a Segunda Infância relembra a adolescência de Manoel de Barros

Peço licença para falar de um livro que é o segundo de uma trilogia. Mas tudo bem, não tem problema. Você entenderia a história de “Memórias Inventadas a Segunda Infância”, de Manuel de Barros, mesmo sem saber que ele se une a outras duas obras.

Logo de cara, em sua primeira página, você já entende que estamos falando de um adolescente de 15 anos: ele conta. E fala também de sua namorada. Tem histórias sobre danadices com os colegas, reflexões e um bom tom de descoberta sobre o erotismo.

O livro é composto de pequenos contos. Cada página tem uma história com começo, meio e fim. Além de serem ilustradas por pinturas.

Gosto de literatura brasileira e esse tom poético que esse livro carrega. Mas uma das coisas mais lindas que ele tem é sua apresentação — pelo menos, a da minha edição. As páginas estão soltas, presas por um laço laranjada, em uma caixa de papelão. É mais que só um livro, é uma obra de arte.

Conheça Acre, uma história de amor, crimes, ciúmes e insegurança

Posso começar esse texto dizendo, logo de cara, a sensação que tive lendo Acre, de Lucrecia Zappi? Pra mim, é um Dom Casmurro moderno. A obra, publicada pela editora Todavia, é ideal para aqueles que curtem clássicos nacionais. Anote aí: merece um lugar na sua estante.

A trama é narrada por Oscar, um jovem paulistano que se mudou pra Santos (por opção dos pais, não dele) quando era adolescente. Na cidade litorânea conheceu Nelson, um surfista com o qual se estranhava (e apanhou certa vez), e Marcela, uma menina que ele achava linda, mas que na época, tinha outro namorado.

Vida vai, vida vem, Oscar se casou com Marcela e terminou morando no apartamento vizinho ao da mãe do Nelson — sem saber. Quando o ex quase amigo foge do Acre e volta pra São Paulo e se torna seu vizinho. Nem preciso dizer o tamanho da surpresa.

acre

Marcela namorou com Nelson anos atrás, e a narrativa é construída de uma forma que te deixa em dúvida se há realmente algo rolando entre os dois — já que as escapadelas da moça com o novo vizinho não são disfarçadas — ou se é só encanação do marido que nunca se deu bem com o novo morador do prédio e se sente inseguro. Isso tudo misturado a crimes, cenas de preconceito e acontecimentos cotidianos que todos vivemos.

A vida desse trio pode ser capaz de prender sua atenção por 208 páginas. Depois que acabar, lembre-se de me contar o que achou!