Amor & Ódio Irresistíveis mostra como a mulher sofre com machismo

Vai construindo esse cenário na sua cabeça: você vai a uma festa, conhece um cara, descobre que ele é bem interessante e que têm muitas coisas em comum. Passam poucos dias e panz: estão disputando a mesma vaga dentro da empresa. Esse é, basicamente, o enredo do livro de Christina Lauren, Amor & Ódio Irresistíveis.

Esse cenário que narrei já seria ruim para qualquer relacionamento dar certo — se não, impossível. Agora (sim, tudo pode ficar pior) acrescente uma grande dose de machismo e terá o panorama completo. Carter e Evie trabalham na mesma empresa, mas o chefe de ambos avisou que não dará para manter os dois a longo prazo. Mesmo Evie tendo anos de firma e Carter sendo o novato, a preferência é dele desde o minuto um. Não tem nada a ver com desempenho a escolha. E sim, com gênero. 

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Além de ser uma história engraçada e romântica, como todas escritas por Christina Lauren, esse livro ainda nos faz abrir os olhos de como a descriminação com a mulher no mercado de trabalho ainda é muito forte e viva mesmo em 2018.

E sabe que a lição que a gente tira? Abaixar a cabeça? Nunca! Temos sempre que continuar a lutar pelos nossos objetivos e direitos, mesmo que o cenário seja o mais adverso possível.

Vale ler: Profissões para Mulheres e outros Artigos Feminista

O livro Profissões para Mulheres e Outros Artigos Femininas, de Virgínia Woolf, que mostra como as mulheres estão lutando pelos seus direitos há mais de um século, deixou claro para mim como estamos repetindo as mesmas coisas há 100 anos. E alguns índices de igualdade básicos ainda não foram alcançados.

Virgínia narra mulheres subindo em palanques em 1913 e lutando pelo direito de voto, salário mínimo é de estudar em universidades. Retruca livros que falam que as mulheres devem servir os homens em suas resenhas e faz discursos falando sobre as dificuldades que existia para se criar uma carreira quando se era do sexo feminino em 1930.

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Nessa junção de resenhas, discursos e resumos de acontecimentos, me vi marcando várias páginas (daquele jeito criminoso de dobrar a orelha) para não perder e não esquecer as partes mais importante pra mim.

E tem gente que ainda acha que o feminismo não é importante. Em 2018 continuamos enfrentando diferenças de salário, poucas posições de destaque em cargos de chefia, baixa representatividade na política e vivemos uma briga diária contra o machismo.

Ser feminista significa lutar pela igualdade entre os gêneros, ter o direito de ganhar o mesmo que o seu colega homem, poder sair na rua sem medo e ter as mesmas oportunidades que uma pessoa do sexo masculino. Se você ainda não é feminista, deveria começar a ser.

A Livraria é um livro de negócios à moda antiga

Você teria coragem de começar um negócio próprio hoje em dia? Leve em consideração que existem cursos, maneiras de pesquisar, pessoas para auxiliar e investir… Em A Livraria, de Penélope Fitzgerald, uma mulher da década de 50 decide abrir sua própria loja de livros.

Uma atitude arrojada para uma viúva de cidade pequena. Um local cheio de fofocas, onde todo mundo sabe tudo da vida de todos… Ela mal saiu do banco pra pedir um empréstimo e não era novidade na cidade sua decisão.

E, claro, o que por um lado agrada uns, incomoda outros — que queriam o lugar que ela escolheu para sua livraria para começar um outro tipo de empreendimento. Florence não se amedrontou, e colocou o bloco na rua.

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Como é uma história que se passa há quase um século, me senti quase que dentro dos livros da Jane Austen. Pela maneira como as pessoas conversam, se portam, pelos nomes, como conversam… Tudo tem aquele toque de educação inglesa.

E, pra quem não ama ler (mas considera, vai! Esse livro tem só 159 páginas) a obra inspirou um filme que leva o mesmo nome e que ganhou alguns prêmios ao redor do mundo.

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Você vai querer entrar para o “Clube da Luta Feminista”

Esse livro é uma mistura de ‘valorize a força da sororidade’ com ‘respeita as minas’. A jornalista Jessica Bennet é a responsável pelo Clube de Luta Feminista, que como o nome já diz, incentiva mulheres a entrar em um clube em que o objetivo é lutar pelos nossos direitos.

E sabe o que é legal? O clube existe de verdade. Ela o criou com umas amigas para poder abrir o coração e falar das injustiças que elas viam e viviam no ambiente de trabalho. O resultado foi um livro cheio de dicas de como evitar o machismo e ter mais autoconfiança.

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Jessica explica os tipos de homens que podem nos colocar para baixo ou sendo machistas no nosso dia a dia (aquele que rouba sua ideia, o que acha que você é menos por ser mulher, o que a interrompe nas reuniões) e ensina a lidar com eles de forma prática. Ela também fala das maneiras que nós nos sabotamos  — e como fazer com que essa nossa força interna que puxa o tapete sumir também. E isso só falando um pouquinho.

Ela traz dados de estudo, explica as questões baseadas em alguns fatos reais que aconteceram com as amigas… Nada na luta pelo feminismo é ficção, e Jessica constrói o livro com imagens, jogos, contratos de mentira e desenhos de uma maneira que acabamos entretidas e, ainda assim, falando de coisas sérias.

Marquei muitas passagens, mas uma delas, faladas pela criadora da COSMOPOLITAN, Helen Brown. “Não permita que sempre te coloquem para fazer ata da reunião. Senão, você vai continuar transcrevendo à tarde toda enquanto os outros estão se adiantando na tarefa em função da qual a reunião foi convocada”, disse.  Você tem tanto direito (e capacidade) para sentar na ponta da mesa quanto qualquer homem. Levante a cabeça e assuma isso!

Ou seja, conhecimentos não irão faltar.

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