Tô Frito! Um livro cheio de aventuras que deram errado na cozinha

Você não precisa gostar de cozinhar para curtir livros que fale de culinária. E essas obras não precisam ser só de receitas, elas podem contar histórias, fazer com que tenhamos lembranças da infância, despertar desejos gastronômicos… Basta saber escolher o livro certo para levar pra casa.

Eu, como uma amante de cozinha que come mais do que prepara, fico encantada toda vez que me deparo com um livro de lembranças (ou receitas) que estejam envolvidas com esse cômodo da casa. Passei (e ainda passo) boa parte da minha vida sentada à mesa vendo minha mãe cozinhar.

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O livro Tô Frito! – Uma coletânea dos mais saborosos desastres na cozinha, de Luciana Fróes e Renata Monti, foca bem nisso: lembranças. A diferença aqui é que não estamos falando de momentos nostálgicos, e sim, de pequenas tragédias gastronômicas que aconteceram na cozinha dos chefs mais renomados do país, como Alex Atala, Rogério Fasano e Claude Troisgros, por exemplo.

Você sabia que o restaurante D.O.M inaugurou sem fogão? O gás não foi instalado a tempo. Teve chef que recebeu ingrediente errado, teve aqueles que perderam parte da receita no caminho de uma festa e quem derrubou uma panela inteira de molho escada abaixo minutos antes de precisar servir os pratos. Ah, falei dos legumes que congelaram depois de prontos por causa do frio que fazia em Nova York? É amiga, a gente pensa que passa perrengue na cozinha quando erra o sal, queima o arroz e descobre no meio da receita que falta um ingrediente. Só que enquanto em casa dá para pedir uma pizza, essa galera precisa se virar nos 30 e salvar eventos, aberturas de restaurantes e festas!

Enquanto eu ria com as histórias, não conseguia evitar pensar o desespero que esses profissionais sentiram diante de situações como essas. Ainda bem que no fim dá tudo certo.

 

“Tintos e Tantos” te leva em uma viagem pelo mundo da gastronomia

Geralmente leio a contra capa dos livros e vejo o que alguns veículos renomados estão falando. Tintos e Tantos, da americana Stephanie Danler, bateu todos os recordes nesse sentido: tem elogios até na capa! E uma das revistas a elogiá-lo foi a COSMOPOLITAN americana. Segundo elas,  “as descrições de vinhos, comidas e relacionamentos de Stephanie Danler dão mais do que água na boca. Elas beiram orgasmos”. Responsabilidade grande, não?

A obra conta a história de uma mulher de 22 anos que decide deixar sua pequena cidade natal para tentar a vida em Nova York. Ela não pensou duas vezes em pegar seu carro, algumas caixas com seus pertences e alugar um quarto em Williamsburg (aliás, se você tiver viagem marcada para a Big Apple, vale muito visitar esse bairro), com só um colchão no chão, pra tentar mudar a vida. De cara ela consegue um emprego como garçonete em um dos restaurantes mais renomados de Manhattan e se vê imersa em um novo mundo.

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Stephanie escreve a história dando pequenas dicas de culinárias e mostrando um cenário que é comum pra muita gente: ter dificuldade de se adaptar e fazer amigos em um novo ambiente de trabalho. Como muitas tramas que se passam em Nova York, os personagens tem um toque esnobe, seguros de si  e com muitos sonhos para realizar. Por outro lado, ela narra tudo de uma maneira bem diferente, onde você se vê dentro de um ambiente tentando descobrir como seria o gosto daquele vinho, o sabor daquela ostra e o qual o temperamento real do chef de cozinha.

Dá vontade de descobrir as histórias que estão por trás da própria história, sabe? E se você tiver uma taça de vinho para acompanhar essa aventura, melhor!

 

“Minha Mãe Fazia” vai encher seu coração de lembranças da cozinha

Não sei vocês, mas tenho muitas lembranças da minha mãe na cozinha. Até hoje a gente passa horas nesse cantinho da casa testando sabores e temperos. Logo, me deparar com um livro que tem uma história a cada receita, como é o caso de Minha Mãe Fazia, de Ana Holanda, me emocionou algumas vezes. Sim, você leu certo: chorei de leve com um livro de receitas.

Em cada nova instrução de prato, Ana selecionou uma história marcante de sua vida: um doce que sua tia que tem Alzheimer fazia, o amor de seu pai por bananas, o sabor da pitanga que lembra sua vó, a reação dos filhos a nova receitas… É quase um diário com direito a sabores e cheiros. Você aprende a cozinhar e ainda conhece momentos marcantes da vida de uma pessoa — e com alguns fica difícil não se identificar.

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Eu mesma seria capaz de atrelar momentos da minha infância e adolescência a vários sabores: o feijão da minha avó materna, a sopa de mandioca e o tempero de carne de porco do meu avô materno, o tortei tipicamente italiano da minha avó paterna, o estrogonofe da minha mãe, o red velvet da minha irmã. Poderia ficar horas só citando receitas e boas lembranças. Amo comer e geralmente minhas refeições estão atreladas a momentos de diversão para mim.

Esse é um livro para ter na cozinha, abrir uma página aleatória vez ou outra e ler em família. Ao fazer isso, as lembranças de Ana nos levam a uma viagem no tempo pela nossa própria vida. E o conforto que o coração sente não tem preço.