Bryan Stevenson, autor de “Luta Por Justiça”, fala sobre suas inspirações e adaptação para o cinema

Que honra ter uma entrevista com Bryan Stevenson aqui nesse site. Antes de começar a falar sobre as respostas do autor, quero contar para vocês como me encontrei com “Luta Por Justiça”. Soube da história no ano passado quando uma nova editora,  a Red Tapioca, me falou de suas publicações. Me encantei! A trama tinha uma sinopse ótima e, muito fã de Michael B Jordan que sou, quis conhecer ainda mais quando soube da adaptação para o cinema. 

Luta por Justiça estreia 20 de fevereiro nas telefonas, mas antes disso o Clube do Livro do Marque Uma Página irá se encontrar, no dia 15, para discutir a história na Pura Casa, às 10h, em São Paulo. Te espero lá!

O que o inspirou a escrever “Compaixão: Uma História de Justiça e Redenção”?

Bryan Stevenson: É engraçado. Estava envolvido com meu trabalho e acreditava que, estrategicamente, seríamos mais eficientes para nossos clientes se não criássemos nenhuma distração. Mas percebi, há cerca de uns 10 anos, que não conseguiríamos atingir a justiça que buscávamos atuando apenas na corte. Aconteceram tantas coisas na política e na cultura que ficou claro que precisávamos falar mais abertamente sobre esses assuntos. Fiz um TED Talk e tomei a decisão de escrever livro para mostrar às pessoas meu trabalho. A história do Walter McMillian, que virou o pano de fundo da obra, era para ser apenas um capítulo, mas percebi que seria uma boa plataforma para mostrar todos os problemas que as pessoas pobres, de cor, inocentes e que estão em sistemas politicamente motivados enfrentam. Não conseguia fugir da ironia de que estava trabalhando em um caso na mesma comunidade em que Harper Lee escreveu “O Sol é para Todos”. Logo soube que essa seria a espinha da história e que queria falar de vários tipos de clientes que representei: crianças, mulheres, pessoas com deficiências, que vivem à margem da sociedade… Meu editor foi muito generoso de me permitir fazer essa abordagem. 

Para uma pessoa que trabalha fora da indústria do entretenimento, por que acredita que esse filme é tão importante? 

Bryan: Acredito que o filme terá um impacto bem profundo na maneira como as pessoas pensam. Estou convencido de que precisamos mudar as narrativas que moldam as questões e os debates sobre políticas. Sempre me impressiona o poder que os filmes têm. Muitos problemas sociais e de justiça avançaram por causa do cinema. Evoluímos em assuntos como casamento gay, em parte, porque fomos expostos a histórias de pessoas do mesmo sexo que se apaixonam. Isso tem muito a ver com a indústria cinematográfica.

Como é assistir ao Michael B. Jordan dar vida a essa história?

Bryan: Fiquei tão honrado, pois ele se doou demais para o papel. Passamos muito tempo juntos antes das filmagens começarem e percebi que ele estava levando muito a sério. Fiquei impressionado. O que mais admiro em sua performance é a sinceridade. Foi incrível. Michael é um ser humano extremamente talentoso. Gostei muito de conhecê-lo e de trabalhar com ele. Foi uma das coisas que mais gostei do projeto. 

Como Jamie Foxx deu vida ao Walter?

Bryan: A cena inicial do filme é o Jamie cortando uma árvore e ele estava incrível. Parecia muito com o Walter. Fiquei impactado. Ele trouxe o personagem a vida de uma maneira muito poderosa. 

E a Brie Larson como Eva Ansley?

Bryan: Acho importante que as pessoas saibam que quem não é advogado também faz a diferença na luta por justiça. A personagem da Eva, com quem trabalhei por mais de 30 anos, fazia diversas coisas para conseguirmos justiça. Para mim, é muito importante honrar o trabalho daqueles que se dedicam a isso. Brie está incrível no papel. Ela é muito talentosa e se dedicou muito as pessoas do EJI [Equal Justice Initiative, ONG fundada pelo Bryan]. Amo a maneira como ela não se intimida. Essa determinação é primordial quando você briga pelo o que é certo. É uma honra tê-la no filme. 

Como você acha que o mundo irá receber essa história? 

Bryan: Acredito que em qualquer lugar no mundo corremos o risco de sermos governados por medo e raiva. Vejo esse movimento em vários locais. Sempre existe a tentação de ceder à política do medo e da raiva, e começamos a diferenciar outras pessoas – excluindo, marginalizando e desfavorecendo com base no status, etnia, cor. Acho que é uma ameaça global. E o que me empolga é que este filme seja sobre rejeitar a política do medo e da raiva. Eles são os ingredientes essenciais da injustiça, da opressão. Se conseguirmos fazer as pessoas entenderem como nunca podemos aceitar o medo e a raiva como um caminho para o poder, como uma maneira de governar, como uma maneira de viver, poderemos começar a exigir uma sociedade mais justa. Estou animado para compartilhar o que fizemos no Alabama como modelo. com sorte, esse tipo de trabalho se replicará em todo o mundo.

Vamos falar um pouco sobre o Equal Justice Initiative? 

Bryan: A EJI é uma organização de direitos humanos que presta serviços jurídicos aos pobres, encarcerados e condenados. Estamos empenhados em acabar com o encarceramento em massa e com punições excessivas. Acreditamos que você precisa estar vigilante e determinado a criar uma sociedade justa e que precisa falar a verdade ao poder. Mas acreditamos principalmente em direitos humanos básicos. Acreditamos na dignidade humana básica. Tem que haver pessoas no mundo que estão lutando pelos desfavorecidos, independentemente de gênero, religião, etnia ou raça. A EJI tenta fazer isso todos os dias.

 

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