Podemos salvar o mercado literário?

Nos últimos meses nos deparamos com a notícia triste de que duas grandes redes de livrarias do Brasil entraram em Recuperação Judicial. Para quem não sabe o que isso significa, a empresa faz o pedido de RJ quando não consegue mais pagar suas contas, se propondo a ter um novo plano de quitação. Enquanto isso, as pessoas para as quais eles devem não recebem nada. O que me fez questionar: o que isso representa para as editoras?

Eu nem preciso dizer que sou uma assídua compradora de livros. Não passo na porta de uma livraria sem entrar e mais difícil ainda não gastar. Digital, físico, em quadrinhos, infantis… Gosto de todos os estilos e os levo para casa. Mas entendo também que esse não é um hobbie lá dos mais baratos. Comprar livros custa caro e não à toa: essa é uma indústria que emprega diversos tipos de funcionários, que tem que ter lucro e pagar os autores. Sim, eu sei que segue pesado para o bolso.

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Por outro lado, a gente gasta grana com tanta coisa, por que não investir em um livro por mês? E se você tem filhos, sobrinhos, afilhados… Compre para eles também! Os pequenos podem não saber ler ainda, mas ter um livro colorido na mão é mágico e desperta o interesse. Sem contar que dá para criar o hábito do momento da história entre vocês.

Em resumo: comprem livros! Como disse a Gisela Gasparian, uma das fundadoras da Editora Ubu, para a Veja São Paulo, “Faça da leitura um hábito. De nada valem posts e textões em redes sociais lamentando o fechamento de livrarias se você não consome livros”. Aproveite para dar muitos de presente de Natal.

Não vamos deixar que uma indústria que nos dá prazer, entretém e nos leva a viajar sem sair do lugar sofrer. Apoie seus autores e editoras preferidas! Se agirmos juntos, vamos conseguir virar essa página.

Aprendi com Jane Austen é um livro cheio de ensinamentos

Na minha humilde opinião, Jane Austen é uma das melhores autoras e romancistas e todos os tempos. Suas histórias foram escritas em 1700, mas as abordagens, os comportamentos e os ensinamentos que suas palavras nos passam continuam valendo até hoje. Não poderiam ser mais contemporâneos.

O livro Aprendi Com Jane Austen é escrito por um cara que precisava dar uma chacoalhada em sua vida. Ele estava fazendo pós-graduação e se viu, muito contra a vontade e cheio de preconceitos, com um livro de Jane em suas mãos. Começou por Emma e o achou bem bobo, sem graça e não entendeu qual era dessa idolatria que muitos têm por Austen. Até que começou a prestar atenção nas entrelinhas e descobriu as lições que aquela obra tinha a dar para ele.

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Quase como em um vídeo game, ele vai passando de fases, aprendendo, lendo um novo livro, pegando o próximo e aprendendo de novo. Por conseguir comparar alguns dos seus próprios sentimentos aos dos personagens, e se identificar com os comportamentos deles, William Deresiewicz foi se apaixonando pelas histórias de Austen

Inclusive, em um certo momento, ele até declara que defenderia Elizabeth Bennet, de Orgulho e Preconceito, a todo custo, de tanto que se encantou com a personagem preferida da autora. Durante todas as páginas, ele compara um pouco da sua vida com as narrativas de Austen e ainda as apresenta as histórias de Jane de uma maneira clara para quem não as conhece. Se você é uma fã, vale acrescentar a sua coleção.

Agora você pode ter vários quadrinhos do The New Yorker em casa

Você sempre gostou de ler quadrinhos nos jornais? O The New Yorker, famoso jornal americano, tem a tradição de publicar cartoons em suas páginas desde 1925. As artes que ficaram tão famosas ganharam destaque e se tornaram um compilado de um livro.

Durante minha caçada pelas lojas da Comic Con Experience de 2017 (estou ansiosa para a desse ano!), encontrei três tipos do livro The New Yorker Cartoons: dinheiro, médico e advogado. Escolhi a opção dinheiro para trazer pra casa. Ao lê-lo, descobri que as preocupações brasileiras em relação a grana não são muito diferentes das americanas.

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Aposentadoria, salário, a dedicação ao trabalho só para receber o contracheque no final do mês e até o desejo de ser rico são temas recorrentes entres os HQ. Vez ou outra a gente ri ou pensa: “Nossa, é isso mesmo, né?”.

Queria que tivesse uma opção “Jornalista” do compilado, mas enquanto eu não encontro, vou me divertindo com os outros temas que encontro por aí

Você vai gostar de ler O Manual para Românticas Incorrigíveis

Você faz o tipo romântica à espera do cara perfeito? Kate Hetherington sim. A protagonista do livro Manual para Românticas Incorrigíveis tem uma expectativa tão alta de que esse cara perfeito existe, que virá em um cavalo branco (segundo a própria, ela aceita um bege) que está encontrando dificuldades para ter um relacionamento fora da fantasia. Eu, que me considero bem pouco romântica, até entendo o desejo de Kate, mas acho aflitivo viver com essas expectativas.

Para dar jus ao nome da história, a protagonista descobre o livro Manual para Românticas Incorrigíveis, escrito na ficção em 1956, onde a autora dá dicas do que ela pode fazer para encontrar o “marido perfeito”. Até Kate admite que ele é cheio de ideias ultrapassadas e machistas, mas resolve tentar algumas manobras sugeridas — como mudar o caminho que faz todos os dias ou sempre sorrir nas horas de nervoso —, mesmo assim.

manual de uma romantica incorrigvel

E, como uma boa comédia romântica, a história fica engraçada, tem acontecimentos desastrosos, encontro com os amigos e… caras que podem fazer parte da vida de Kate. Mas não vou falar mais para não dar spoiler do final.

Gemma Townley escreve de forma semelhante a Sophie Kinsella e Meg Cabot, autoras bem conhecidas por suas obras no estilo chick lit. Boa leitura!

The Proposal é um romance que mistura racismo, empoderamento feminino, relacionamento abusivo e boas amizades

Antes de pensar: “Ai, nossa, um livro com tudo isso nunca poderia ser bom”, dá uma respirada. The Proposal (ainda sem versão em português), de Jasmine Guillory, foi escolhido como um dos melhores livros de 2018 na categoria romance pela The New York Public Library. Só por isso ele já merecia uma chance.

Nik é uma jornalista negra que vive em Los Angeles. Carlos um pediatra de origem mexicana. Eles se conhecem do jeito mais inusitado: o namorado da Nik resolve pedi-la em casamento em meio a um jogo de baseball! Depois de cinco meses de relacionamento casual e sem nunca terem sequer trocado um “Eu te amo”. Sim, péssimo! É nesse hora que o médico e sua irmã, que estavam sentados na fileira atrás dela, entram em cena e a resgatam daquele fiasco todo.

the proposal

Até aí esse livro poderia ser qualquer comédia romântica. Mas são os acontecimentos em torno dele que dão o toque vida real e mostram o que muitas mulheres têm que enfrentar. Nik, como eu já disse, é negra. E o racismo ainda é uma questão, infelizmente (Até quando?!). Como mulher branca, não sou capaz de entender a dor/insegurança/dúvida que é se preocupar com o que as pessoas irão achar de mim só por causa do tom da pele.  Na hora de conhecer os amigos do Carlos, por exemplo, ela fica um pouco nervosa de chegar na mesa e as pessoas serem preconceituosas. Algo que imagino que deva acontecer com muitas mulheres e homens negros que começam um relacionamento. Que tristeza ter que viver uma cena racista como essa. O racismo não é o foco central do livro, mas questão racial é levantada ver ou outra, nos mostrando como essa preocupação frequente existe.

Outro tópico levantado é sobre relacionamentos abusivos. Nik foi vítima de um, o que a impede de confiar nos homens, e sua professora das aulas de luta, também. O caso da instrutora ainda teve como  agravante um casamento com um marido que a prendia em casa pois, como ela era abertamente bisexual, ele tinha ciúmes de tudo e a controlava muito. Até o emprego ele a fez deixar. Demorou para que a instrutora conseguisse confiar em alguém de novo e perceber que aquilo não era normal. E a forma que ajudou de apoiar outras mulheres foi com aulas para ajudá-las a se defender, chamada “Punch Like a Girl” (Dê socos como uma menina, em português).

Vale a pena a leitura!

“O segredo de Emma Corrigan” é engraçado e romântico ao mesmo tempo

Li O segredo de Emma Corrigan, da Sophie Kinsella, há muitos anos — ele tinha uma capa lilás na época, diferente dessa que está nas livrarias hoje em dia. Mas o encontrei grátis na lista dos livros do Kindle Unlimited e resolvi baixá-lo para lê-lo novamente. Quem nunca? Eu pelo menos faça sempre isso com os livros que gosto.

Emma, a protagonista desse livro, poderia ser qualquer uma de nós: uma mulher tentando uma promoção, que começa a história tendo um dia ruim no trabalho, que tem um namorado que adora e medo de avião. E é exatamente uma turbulência que a deixa apavorada e uma tagarelice de nervoso que muda os rumos dessa trama. Confesso que me identifico com a situação. Achando que vai morrer, Emma abre o coração e conta toda sua lista de segredos para o estranho sentado ao seu lado. Como ela mesma diz, não é nada que seja capaz de mudar o mundo, tá? Só que ela nunca se apaixonou de verdade, que não entende quase nada do seu trabalho, que não sabe se tem um ponto G…  Em todo esse momento aterrorizante só tem um fato legal: ela lê a COSMO no avião enquanto tenta relaxar (a revista que vai sempre morar no meu coração).

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É claro que ninguém morreu. E o estranho, na verdade, era Jack Harper, um dos caras mais importantes de onde trabalha. Ninguém menos que o fundador da empresa. Ou seja: o dia que começou ruim conseguiu ficar ainda pior. Emma confessou que não entendi nada do que as pessoas falaram na reunião e que foi o desastre! Bom, você já consegue imaginar o fim, não consegue?

Sophie tem uma habilidade única de escrever histórias que nos deixam tensas, nos fazem rir e têm tramas românticas, mas que não nos deixam entediadas. Sempre um mix certo para relaxar no sofá. Pode apostar.

 

O Último Adeus é, na verdade, uma história de recomeço

Como você se sentiria se encontrasse com alguém que amou muito no passado depois de anos separados? O Último Adeus, da Saga Rosemary Beach (que vale ler inteirinha), da Abbi Glines, conta a história de Capitan e Rose, ou River e Abby para os íntimos.

River e Abby se conheceram aos 13 anos quando a garota, que foi adotada por sua família, apareceu na porta de sua casa. Desde então, eles não se desgrudaram. Só que quando essa dupla chegou aos 16 anos, Abby sumiu. A mãe de River, que tinha problemas psiquiátricos, alegou que havia matado a garota e jogado o corpo em um rio. Sem saber da verdade, River muda completamente de vida, e de nome, depois de tal acontecimento. Mas Abby não morreu. Ela também mudou de nome e se esforçou muito para encontrar aquele garoto que era seu protetor. E, quando finalmente tem sucesso em suas buscas, ele está tão transformado que ela se quer sabe se quer tê-lo por perto.

Durante toda a história, você consegue se identificar pela angústia de ambos: um que pensa que o grande amor da sua vida foi assassinado e outro que luta para encontrar de novo aquela pessoa que sempre a apoiou. Agora imagine o choque de ambos ao verem seus caminhos cruzarem de novo.

Uma história de amor fofa, mas com uma protagonista forte e luta pelo o que ela deseja. Confia em mim que essa história vale a pena!

Melhores Amigas é um livro de ficção muito vida real

Esse livro não é um romance, não é engraçado e nem divertido. O jornal americano The New York Times classificou Melhores Amigas, de Emily Gould, como uma mistura das séries Two Broke Girls e Girls, mas confesso que não ri nenhuma vez. A obra é meio que um choque de realidade que, às vezes, a vida que a gente planejou lá no começo da nossa fase adulta não vai rolar. E no fim, está tudo bem.

Na história, Bev e Amy, que se conheceram no ambiente de trabalho, chegaram aos 30 anos e a vida está uma bosta. Elas não têm o emprego que gostariam, não moram onde gostariam, os relacionamentos não são o que gostariam… Ou seja: está tudo errado. Aqueles planos lá da época da faculdade nem fazem mais sentido.

melhores amigas

Durante toda a trama, com direito a vários imprevistos, elas se veem dentro de uma situação que não é ideal e precisando colocar a vida em perspectiva. Quando você é despejada, acaba de se demitir e não tem uma moeda guardada, é difícil pensar que dá pra melhorar. Mas para dar passos para frente, às vezes, a gente tem que andar cinco para trás, descobrir novas paixões e encarar um novo caminho. E está tudo certo. É isso que Amy e Bev fazem durante essas 251 páginas.

Esse não é o livro ideal para você passar o final de semana curtindo se quiser se distrair. A cada capítulo é um soco no estômago que nos faz pensar na nossa vida, reavaliar escolhas e objetivos. Mas se está meio pra baixo com como andam seus dias, pode ser importante se dedicar a esse livro. Quem sabe você também não percebe que precisa de uma mudança para ser mais feliz?

A Outra Sra. Parrish é um livro de suspense que merece um prêmio

Não dá para a gente negar que os thrillers de suspense estão em alta. A cada mês chagam às livrarias novos que nos surpreende a cada virar de página (Aliás, se tem algum que você amou ultimamente, me conta?). Voltando ao assunto, escolhi um livro nesse estilo para a resenha de hoje que é muito bom. MESMO!

A Outra Sra. Parrish, de Liv Constatine (Harper Collins) merece um prêmio da literatura do suspense. Eu, pelo menos, inventaria um só pra presentear a dupla de irmãs (sim, o nome é um combinado de duas mulheres) que teve a ideia por trás dessas páginas. Na trama, Amber é uma mulher revoltada, que sente muita raiva e inveja de Daphne. Desde o começo você se vê em meio a um plano de vingança, e em nenhum momento consegue se dar conta do motivo. Por que essa mulher e sua família estão em foco?

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Mas, assim como em outros livros desse estilo, nada é exatamente o que parece. Em certo momento, minha cabeça deu um nó e comecei a ficar muito aflita com o desenrolar da história. Sinais claros de um bom livro do gênero.

Esse tem 5 estrelas minhas, sem sombra de dúvidas.

‘Qual o problema das mulheres?’ é uma crítica a como as mulheres foram esquecidas na história

Sabe, eu nunca tinha parada para pensar como as nossas aulas de história do mundo — e nacional — são cheias de heróis homens. Pele jeito que nos foi contado, eles foram as mentes brilhantes e geniais que, com o passar do século fizeram a humanidade ser como é hoje. Mas e as mulheres? Estavam escondidas em um buraco nesse tempo todo? O livro Qual o Problema das Mulheres?, de Jacky Fleming (LPM), levanta essa questão.

A história é toda narrada cheia de ironias e sarcasmos. Se a gente não prestar atenção vai até achar que é um louvor as glorificações masculinas. Mas tudo não passa de um jeito debochado de mostrar como as mulheres foram marginalizadas e como pensadores, muito renomados, como Einstein e Darwin afirmavam que as mulheres não eram espertas o suficiente, frágeis demais e incapazes de aprender, com o passar dos anos.

qual o problema das mulheres

Eu fiquei chocada ao reparar o quanto falamos mesmo pouco nas mulheres nas aulas de história. Cadê as pensadoras, químicas, físicas e biólogas que fizeram a diferença do mundo? Cadê aquelas que se rebelaram contra o que foi imposto a elas? A gente nunca ouviu falar!

O legal é que no final dessa longa narrativa sarcástica feita pela cartunista e feminista britânica, existe um pequeno perfil dessas mulheres que marcaram a história e que são esquecidas e deixadas de lado. É bom lembrar e bom saber.