Orgulho e Preconceito em HQ: leia clássicos em todos os formatos

Antes de começar esse texto, tenho uma confissão a fazer: sou apaixonada pela Jane Austen. Tenho várias cópias de seus livros, que são lançados com capas diferentes, e não resisto quando vejo algo que ela assina dando sopa na livraria. E foi assim que a versão em HQ de Orgulho e Preconceito foi parar na minha coleção.

Curto ler quadrinhos. Como o formato está em alta, dá para encontrar vários opções de histórias. Na minha coleção tenho desde um de reportagem sobre o Oriente Médio a tramas de heróis. Então, se tem receio em tentar esse tipo de leitura, saiba que dá, sim, para achar uma que combina com você.

orgulho e preconceito

Para quem não conhece, Orgulho e Preconceito é um dos romances mais famosos de Jane Austen. Na trama, as mulheres Bennet são loucas para casar, menos Elizabeth, que decide que só irá subir ao altar com alguém quando estiver apaixonada — inclusive chegou a negar investidas ao longo da história. Quando ela conhece Darcy, nem imagina que aquele é o homem dos seus sonhos. A relação entre eles dois é cercada de preconceitos e orgulhos, mas no fim, como em toda história romântica, o amor vence.

Ah, eu amo essa história.

Entre Irmãs é um livro sobre mulheres fortes

 

Você talvez já até tenha lido essa história. Entre Irmãs, na verdade, chamava-se originalmente A Costureira e o Cangaceiro. A mudança aconteceu para que a história das páginas combinasse melhor com a pegada do filme, que conta com Nanda Costa e Marjorie Estiano no elenco. A autora adorou. O sucesso foi tanto que a obra se tornou até série na Globo.

Em um papo exclusivo comigo, a pernambucana Frances de Pontes Peebles revelou um pouco mais sobre seu lado autora e como foi ver suas ideias se transformarem em um filme.

 

De onde surgiu sua inspiração para a história?

Tem várias. Acredito que a história já estava dentro de mim, ela só foi se acumulando ao longo do tempo. Desde quando era jovem queria escrever sobre o cangaço, mas de uma maneira diferente. Quando comecei a procurar histórias sobre as mulheres que faziam parte disso, não existiam. Elas foram esquecidas e eu queria escrevê-las. Eu tinha uma boneca de pano que vestia a roupa de cangaceira, minha avó se chamava Emilia e minha tia avó Luiza. Dei o nome das personagens principais em homenagem a elas. Além de tudo, minha vó também era costureira.

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Como é ver seu livro se tornar um filme?

Sinto uma gratidão imensa. Isso dá uma vida nova ao livro. Não participei da adaptação, mas acho que o elogio mais forte e bonito que qualquer artista pode receber é saber que inspirou outro artista. O diretor (Breno Silveira) e a roteirista (Patrícia Andrade) precisavam de independência para fazerem sua própria obra. Não é fácil escrever um roteiro de um livro de 600 páginas, mas a Patrícia captou a alma da história.

Qual o seu livro preferido?

Ah, tenho muitos. Mas acabei de ler pela décima vez As Três Marias, de Rachel de Queiroz. Amo esse livro. Acho a Rachel uma joia rara na literatura brasileira. Ela cria personagens femininos fortes e você é transportada para o enredo, quer saber o que vai acontecer… Isso muito importante quando se lê.

Você faz parte do time que acha que primeiro tem que ler o livro e depois ver o filme?

Sim, pois valorizo a literatura. Estamos em uma cultura muito visual. Quando assistimos a um programa não precisamos imaginar. Algo que acho lindo em um livro, como leitora, é que somos parceiros dos autores. O leitor cria junto comigo, quando estou narrando, os personagens em sua mente. Tem que ler antes para valorizar a literatura, o escritor e o romance.

Amor & Ódio Irresistíveis mostra como a mulher sofre com machismo

Vai construindo esse cenário na sua cabeça: você vai a uma festa, conhece um cara, descobre que ele é bem interessante e que têm muitas coisas em comum. Passam poucos dias e panz: estão disputando a mesma vaga dentro da empresa. Esse é, basicamente, o enredo do livro de Christina Lauren, Amor & Ódio Irresistíveis.

Esse cenário que narrei já seria ruim para qualquer relacionamento dar certo — se não, impossível. Agora (sim, tudo pode ficar pior) acrescente uma grande dose de machismo e terá o panorama completo. Carter e Evie trabalham na mesma empresa, mas o chefe de ambos avisou que não dará para manter os dois a longo prazo. Mesmo Evie tendo anos de firma e Carter sendo o novato, a preferência é dele desde o minuto um. Não tem nada a ver com desempenho a escolha. E sim, com gênero. 

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Além de ser uma história engraçada e romântica, como todas escritas por Christina Lauren, esse livro ainda nos faz abrir os olhos de como a descriminação com a mulher no mercado de trabalho ainda é muito forte e viva mesmo em 2018.

E sabe que a lição que a gente tira? Abaixar a cabeça? Nunca! Temos sempre que continuar a lutar pelos nossos objetivos e direitos, mesmo que o cenário seja o mais adverso possível.

Linéia e Seu Jardim ensina às crianças a criarem sua própria horta

Você se lembra de quando estava na escola e a professora te deu a tarefa de plantar um feijão? A sensação de abrir um buraquinho na terra, colocar a semente e esperá-la crescer era tão gostosa! E melhorava ainda mais após a germinação do grão. Lembra?

É mais ou menos esse sentimento que o livro “Linéia e Seu Jardim” desperta em um adulto que o lê. A pequena menina que ganhou o nome em homenagem a uma flor dá várias dicas de jardinagem para quem quer ter seus próprios vasos em casa.

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E o que é mais divertido dessa obra é que, entre uma explicação e outra, ela desperta nas crianças (afinal, é um livro infantil) a vontade de interagir com a natureza, ver as flores crescerem e, por que não, a comer melhor. A cada página elas elas saberão o trabalhão que dá para uma flor ou fruta nascer.

Está preparada para criar sua horta?

Malala e Seu Lápis Mágico explica a vida da paquistanesa de maneira leve para as crianças

Como dizer para uma criança que outra levou um tiro na cabeça porque se recusou a parar de estudar? Nao se fala! Se uma cena violenta como essa assusta os adultos, imagina o que faria com a cabeça dos pequenos. Só que a história da Malala Yousafzai é importante, inspiradora e dá para contá-la, sim, de maneira leve.

No livro Malala e Seu Lápis Mágico, escrito por ela mesma, a paquistanesa narra sua infância e vida, explicando como sua vontade de estudar a levou mais longe apesar das barreiras que ela precisou enfrentar na cidade natal para conseguir frequentar a sala de aula.

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Ela torna os lápis uma ferramenta de magia, conta seus sonhos, tentar entender, enquanto explica, porque existem pessoas ruins no mundo e capazes de fazer aquilo com as crianças  em 2009 o Talibã proibiu 50 mil garotas de irem a escola. E como Malala queria ser ouvida, encontrou uma maneira de fazer sua voz ecoar, sem saber o risco em que se colocava.

Hoje com 21 anos, ela é a pessoa mais jovem a ganhar o Prêmio Nobel da Paz (ela tinha apenas 17) por, de acordo com o G1, “sua luta contra a supressão das crianças e jovens e pelo direito de todos à educação”. Quer melhor história de superação para contar a uma criança?

Com De Volta para o Futuro você leva sua infância à uma criança

Só de pensar no filme De Volta Para o Futuro você deve ter boas lembranças. Esse é um daqueles longas que que traz à memória tardes sentadas no sofá da sala vendo Sessão da Tarde. Época da escola, sem responsabilidades além do dever de matemática, é claro.

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No livro ilustrado por Kim Smith, as crianças têm uma ideia bem resumida do que se passa no longa de 1985. Uma ótima historinha para dormir, com pitadas de romance e aventura.

Acho que os pequenos de hoje, que vivem cercados por gadgets de última geração, não entenderiam varios itens da coleção Marty — não que a história ilustrada entre em detalhes. Mas seria legal ver a reação deles em frente à TV com esse filme.

Amora, do Emicida, é uma aula de como aprender a se amar desde cedo

O livro Amora, do rapper Emicida, quebra preconceitos de uma forma delicada tanto sobre cor de pele quanto sobre religião, principalmente quando ele fala sobre o pensamento de uma criança e cita Obatalá, Deus e Ala (lembrando que neste  planeta Deus tem muitos nomes diferente).

Apesar de curtinho, “Amora” é um livro empoderador importante para meninas negras. Em 2018, infelizmente, ainda enfrentamos muito racismo. E é com muita tristeza que digo isso. Não entendo como alguém pode julgar o outro pela cor da pele, mas isso existe. E esse julgamento machuca.

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Ao mesmo tempo que a representatividade cresceu na música, novelas e cinema, ela ainda é muito pequena. Poucas são as famosas, por exemplo, que são negras e têm reconhecimento. Por isso que ao falar que “as pretinhas são as melhores que há” em um pomar se referindo as amoras, esse dizer se expande na cabeça da criança que conclui com o pensamento: “Papai, que bom, porque eu sou pretinha também!”.

E que assim seja. Que as crianças, todas elas, cresçam sabendo que elas têm valor. Agora e sempre!

O Pequeno Príncipe é uma reflexão de valores com misto de imaginação de criança

Várias pessoas me falaram, durante toda a vida, que cada idade que eu lesse O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, teria uma percepção diferente. Ouso dizer que não é verdade. Todas as vezes que eu li (uma delas durante a infância, inclusive), tive a mesma impressão.

A viagem do principezinho por vários planetas até chegar à terra mostra com clareza as várias faces do ser humano: o egocêntrico, o workaholic, o focado no poder, autocentrado… Enquanto o tal menino, que veio de um planeta com três vulcões e uma flor, busca entender as estranhezas dos adultos. Me lembro, que quando era pequena, brincava de fazer reuniões porque meu pai sempre estava em uma. E hoje, com o avanço da internet e smartphones, ficamos ainda mais presos ao dia a dia do trabalho, mesmo quando não estamos mais no escritório.

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Aquele pequeno príncipe, que só queria um carneiro e amou o desenho feito do bichinho dentro de uma caixa, nos faz refletir sobre os valores da vida, o que tá faltando na humanidade ultimamente.

Livros infantis têm esse poder: de nos fazer refletir sobre qual a real importância da vida, e a maioria delas, estão nas pequenas coisas.

“A Poeta X” narra as angústias de uma adolescente com poesia

O livro “A Poeta X”, de Elizabeth Acevedo, é best-seller do New York Times. Só por isso, ele já merece aquela levantada para ler a orelha em uma livraria. Mas a obra é mais: é um retrato de uma adolescente que não se encaixa.

Xiomara Batista sente que sua voz não é ouvida. Moradora do Harlem, e com ascendência da República Dominicana, a menina se sente presa em um mundo onde a religião (algo que ela questiona fortemente) controla tudo — e onde adolescentes demonstram interesse nela de forma nada agradável e adequada. 

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Ela quieta, mas curiosa. Quer saber, mas é podada é moldada para ser quem não é. Muitos adolescentes vivem nessa angústia de não conseguir se expressar. Xiomara conta sua vida em poemas nesse livro. É o jeito a desenvolveu para abrir o coração sem ser julgada.

Conhece alguma adolescente passando por uma fase difícil? Indique esse livro para ela!

História em quadrinhos mostra um período da vida de Frida Kahlo

Você já conhece Frida Kahlo. Ela ficou conhecida por seus quadros, fotos e até por sua aparência no mundo todo. Uma mulher forte que merece ser lembrada. Pois bem, a mexicana ganhou uma história em quadrinhos contato um pedaço de sua história.

A narração conta a época em que a artista estava começando a sua carreira e recebia em sua casa Leon Trotsky, que foi forçado a se exilar no final da década de 1930. Ela e o Marido, Diego, receberam Leon e sua esposa na famosa Casa Azul (que hoje é um museu na Cidade do México) e tiveram dias intensos em sua presença.

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Só por essa história ilustrada, já conseguimos perceber que Frida tinha um temperamento forte e nenhum medo de correr atrás dos seus sonhos de verdade. Ela saiu do México, foi para os Estados Unidos, para a França, largou do marido e investiu em seu talento. Tinha certeza que seria uma grande artista, mas não deixou de se esforçar para encontrar seu espaço.

Eu, como vocês já sabem, adoro um graphic novel. E acho que incrível que atualmente a gente consiga achar tantas histórias diferentes narradas dessa forma. Vale a pena aproveitar!