“Minha Mãe Fazia” vai encher seu coração de lembranças da cozinha

Não sei vocês, mas tenho muitas lembranças da minha mãe na cozinha. Até hoje a gente passa horas nesse cantinho da casa testando sabores e temperos. Logo, me deparar com um livro que tem uma história a cada receita, como é o caso de Minha Mãe Fazia, de Ana Holanda, me emocionou algumas vezes. Sim, você leu certo: chorei de leve com um livro de receitas.

Em cada nova instrução de prato, Ana selecionou uma história marcante de sua vida: um doce que sua tia que tem Alzheimer fazia, o amor de seu pai por bananas, o sabor da pitanga que lembra sua vó, a reação dos filhos a nova receitas… É quase um diário com direito a sabores e cheiros. Você aprende a cozinhar e ainda conhece momentos marcantes da vida de uma pessoa — e com alguns fica difícil não se identificar.

minha mae fazia ana holanda

Eu mesma seria capaz de atrelar momentos da minha infância e adolescência a vários sabores: o feijão da minha avó materna, a sopa de mandioca e o tempero de carne de porco do meu avô materno, o tortei tipicamente italiano da minha avó paterna, o estrogonofe da minha mãe, o red velvet da minha irmã. Poderia ficar horas só citando receitas e boas lembranças. Amo comer e geralmente minhas refeições estão atreladas a momentos de diversão para mim.

Esse é um livro para ter na cozinha, abrir uma página aleatória vez ou outra e ler em família. Ao fazer isso, as lembranças de Ana nos levam a uma viagem no tempo pela nossa própria vida. E o conforto que o coração sente não tem preço.

A biografia de Travis Barker é uma aula para quem ama música

Sempre amei música. Não sei tocar nada, não consigo cantar nem para salvar minha vida, mas amo. Quando era adolescente, os álbuns do Blink-182 nunca saiam do meu lado — algo que não mudou nos dias de hoje. Por isso decide ler a biografia do baterista que leva seu nome: Travis Barker: vivendo a mil, desafiando a morte e batera, batera, batera.

Biografias quando são bem escritas fazem com que a gente mergulhe na vida de uma pessoa de um jeito que fica difícil de sair. O Travis sempre foi meu integrante preferido da banda e, há 8 anos, sofreu um acidente grave de avião: jato onde estava caiu. Quatro pessoas morreram e ele conseguiu se salvar com mais de 65% do corpo queimado. Passado todo esse tempo, Travis resolveu escrever sobre sua vida e como conseguiu desafiar a morte nesse acidente. Na história, conta como teve medo de avião desde a primeira vez que precisou entrar em um.

capa livro Travis Barker vivendo a mil, desafiando a morte e batera, batera, batera.

De novo, só gosto de ouvir música, não entendo nada da técnica e não tenho nenhum gabarito para julgar talentos. Mas sempre achei o Travis muito bom no que ele faz (minha dica: ouça Violence, do álbum Feeling This do Blink-182. O solo dele logo no começo é de ficar babando). E a sua história de vida confirma minha opinião. Enquanto ele mesmo narra sua vida, em alguns momentos outros artistas entram no enredo para dar opinião no tamanho do talento que ele tem com as baquetas.

O cara toca desde criança, desenvolveu uma marca registrada, organiza sua bateria de uma maneira diferente dos outros percursionistas, tocou em várias bandas, fez muitas turnês e, tinha uma vida que a gente imagina que todo rock star tem: com muitas mulheres e festas. Se você gosta de música, rock principalmente, o livro é um passeio pela cena musical da Califórnia desde a década de 90 e outros clássicos. Uma curiosidade legal: um dos primeiros ritmos que ele aprendeu foi bossa nova.

Leu tudo isso e não faz ideia de quem estou falando? Procure a performance de Closer, do The Chainsmokers, no American Music Awards. Sim, essa música mesmo que não para de tocar no rádio e que todo mundo ama (inclusive eu!).  No final, uma bateria aparece no palco. É o Travis que está atrás dela.

Nicholas Sparks fala sobre suas obras e personagens fortes

Olha que honra! Nicholas Sparks, autor de livros famosos como Um Homem de Sorte, Querido John e Noites de Tormenta, passou pela minha mesa de trabalho e checou as obras que eu tinha por lá (sempre foram muitas) antes de batermos um papo há um tempo.

Nicholas é educado, tranquilo, fala baixo e passa uma grande serenidade enquanto conversa. Mas esse perfil “de boas” não o impediu de ser uma máquina de sucessos, tanto nas livrarias quanto nos cinemas. Com 11 adaptações para o cinema assinadas em seu nome (algumas com ele mesmo como roteirista), o americano conquistou o público e fãs ao redor do mundo.

 

As pessoas o abordam mais para falar dos livros antigos do que para falar sobre os novos?

Sim, e tudo bem porque eles são os mais conhecidos. Então não é surpreendente que eles conversem comigo sobre obras antigas. E, claro, muitas das obras mais velhas se tornaram filmes e isso aumenta a reconhecimento que elas recebem.

No final do filme O Diário de uma Paixão os personagens principais morrem juntos. Pra mim esse é um final feliz, para muitos, triste. Como você o vê?

Acho que o filme terminou da melhor forma que poderia ter terminado. No fim das contas, a história era de um cara que ama essa mulher para sempre e que vai ficar com ela até que não precisasse mais ficar. Para mim foi um grande final.

Suas histórias são inspiradas em sua própria vida?

Algumas foram. O Diário de Uma Paixão foi inspirado pela história dos avós da minha ex esposa, Um Amor para Recordar é sobre minha irmã e sua luta contra o câncer, Uma Carta de Amor é sobre o meu pai depois da morte da minha mãe, Querido John foi inspirado no meu primo. Muitos dos meus livros têm raízes na minha própria vida.

Seus personagens são fortes. Você acha que eles têm a habilidade de passar um pouco dessa força para quem está lendo a história?

Acho que sim. Acredito que é inspirador para quem lê, pois são personagens do mundo real. Quero que meus leitores leiam e pensem “isso poderia acontecer comigo”, “isso me lembra a vida de alguém que conheço”, “isso me lembra meus avós” ou “essa é a minha história com meu namorado”. Quero que as pessoas se sintam conectadas com os personagens e os acontecimentos.

Você recebe mensagens dos seus leitores?

Recebo muitos e-mails de pessoas ao redor do mundo. Eu leio todos. É emocionante. Já recebi histórias incríveis e tocantes sobre os motivos pelos quais eles gostaram dos livros. Sobre A Última Música recebi tantas mensagens de meninas que se reconectaram com seus pais depois de ler a história. Uma brasileira, inclusive, me encontrou em uma sessão de autógrafo e me agradeceu. É bem tocante.

No total, tem onze filmes inspirados em seus livros. Você se envolve na produção?

Trabalho de forma bem intensa com os produtores e com o roteirista a não ser que eu mesmo escreva o roteiro. Sou envolvido na escolha do diretor, do elenco…

Aliás, seus filmes têm ótimos elencos! Channing Tatum, Ryan Gosling, Zac Efron, Liam Hemsworth…

Josh Duhamel, Richard Gere!

Você tem planos para um próximo filme inspirado em seus livros ou vai parar na marca dos onze?

Não, vamos continuar criando filmes. Acredito que o próximo será O Guardião e depois desse eu não tenho certeza. Vamos acompanhar para ver o que vem.